BBB 18: Gleici é a grande campeã do programa e leva R$ 1,5 milhão


Do Correio 24 Horas
Kaysar ficou em segundo lugar e a terceira colocação foi para Família Lima
Gleici Damasceno, 23 anos, é a mais nova milhonária do país. A estudante de psicologia de Rio Branco (AC) venceu o Big Brother Brasil 2018 (BBB 18) nesta quinta-feira (19) e leva para casa R$ 1,5 milhão. Ela teve 57,28% dos votos, ficando à frente de Kaysar Dadour, com 39,33%, e da Família Lima, que ficou com 3% dos votos. Com o segundo lugar, o garçom sírio recebe R$ 150 mil; já Ayrton e Ana Clara Lima ficaram em terceiro lugar e levam o prêmio de R$ 50 mil. 
A acreana também venceu a enquete realizada pelo CORREIO entre quarta (18) e quinta (19). Encerrada às 18h25 com 8.163 votos, a votação apontou que 60% dos internautas dariam o prêmio principal para a acreana, que passou por muitas dificuldades e ficou conhecida no programa por sua doçura e forte personalidade. Kaysar (30%) e Família Lima (10%) ficaram em segundo e o terceiro lugar. 
A discreta Gleici vem do Acre, onde a violência contra a mulher e jovens negros é grande. Ela teve o pai assassinado e luta contra formas de opressão como o racismo e o machismo e defende o poder da educação. Mandou suas mensagens sem ficar se lamentando. O sucesso dela foi tanto que a TV Globo até transmitiu, pela primeira vez, a final ao vivo no estado (o fuso horário do estado é atrasado em duas horas em relação ao de Brasília).
Na dela, Gleici se revelou aos poucos no jogo. À medida que seus adversários a colocavam continuamente no paredão, alegando que ela era quietinha e afastada dos outros, ela foi crescendo dentro da casa e com o público. Mesmo sendo alvo de várias ofensas e injúrias dentro da casa, manteve-se sempre educada com todos na casa. A sister foi sempre companheira com seus aliados e ainda conquistou Wagner. 
O jogo virou quando ela voltou do paredão com direito a ficar num quarto especial por alguns dias. E ainda pode ouvir o que todos falavam dela pelas costas. Gleici também descobriu sobre o grupo que se uniu para combinar votos, e decidiu usar essas informações para cortar o mal pela raiz. Na hora que voltou para a casa, ela expôs as pessoas falsas da casa e conseguiu eliminá-los um a um, sempre deixando bem claro o que sentia. 
De origem humilde, Gleici cresceu na zona rural e vive na periferia da Baixada da Sobral - uma das áreas mais violentas da capital do Acre - com a mãe, o irmão mais velho e a sobrinha de 3 anos em uma casa simples, de madeira e alvenaria, com três cômodos. Ela teve o pai assassinado pelo tráfico de drogas que domina a região há três anos dentro de casa e na frente da irmã mais nova. O pai dela era dependente químico e se separou da mãe quando Gleici tinha 6 anos.
Irmão de Gleice na casa onde eles moram, no Acre
(Foto: Jardy Lopes/Reprodução)
Também há três anos, a mãe, Vanuzia, 39, foi diagnosticada com um câncer no útero e teve que abandonar o emprego no gabinete de uma vereadora (sua ex-patroa). Para a função, ela ganhava R$ 2 mil, renda essa que era complementada como zeladora da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) à noite. Coube a Gleici assumir as despesas da família.

Mãe de Gleici na casa em que a sister mora, no Acre 
(Foto: Jardy Lopes)
Sem internet e TV a cabo em casa, Vanuzia, e o irmão da sister, Agleuson, de 24 e desempregado, acompanham o programa graças aos vizinhos, que cederam um ponto de pay-per-view. A acreana tem ainda uma irmã mais nova, Gleiciely, 19, que é mãe da sobrinha da sister. 

Sister dorme em uma cama na sala
(Foto: Jardy Lopes/Reprodução)
Simples, a casa é própria e é protegida por uma cerca de madeira e possui um quarto, cozinha e sala. "Íamos usar o 13º (salário) dela para desmanchar a sala e fazer um quartinho aqui. Era o sonho dela", contou a mãe dela ao Extra. A família sobrevive atualmente com a ajuda de vizinhos e do dinheiro da exoneração de Gleici no cargo comissionado na Assessoria de Juventude, no Governo do Estado.
A acreana foi a única da família a concluir os estudos e entrar na faculdade. Antes do programa, ela ganhava R$ 2,700 para sustentar a família, comprar remédios para mãe, pagar contas de água e luz, despesas dos irmãos e suprir a casa de alimentos. Ela também usava o dinheiro para pagar metade da faculdade de Psicologia na universidade Uninorte. Os outros 50% são custeados pelo Fies (programa de financiamento estudantil). Também realiza trabalhos comunitários. 
Disputa acirrada
O programa estreou no dia 22 de janeiro de 2018 e, paredão pós-paredão, os três finalistas ganharam a simpatia do público. O quarteto jogou com boas armas e muita sedução. Em outra circunstância, talvez um encontro entre uma acreana, uma família carioca e um sírio fosse algo improvável. Mas, no BBB 18, a amizade se fortaleceu e eles foram, por todo esse período, grandes incentivadores uns dos outros. “Esta foi uma grande temporada, com um elenco recheado de protagonistas. O BBB é um programa sem roteiro, onde a gente não tem ideia do que vai acontecer e todas as reviravoltas do jogo estão nas mãos dos participantes. Nós ficamos assistindo, concordamos, discordamos, nos emocionamos. Definitivamente, o BBB é um dos games mais fascinantes do mundo”, resumiu Tiago Leifert.
Além de Gleici, o refugiado sírio Kaysar também conquistou o público, tanto que a disputa foi acirradíssima. Seu sonho é trazer toda a família, que sofre com a guerra, para o Brasil. O brincalhão tem 28 anos e saiu de sua cidade natal,  Alepo, em 2011. Em 2014, veio para Curitiba, onde trabalhou como garçom. Ficou conhecido pelo seu bom humor.
Já Ayrton e sua filha Ana Clara representaram o jogo em sua essência: estavam ali para competir. Ele perseguiu o sonho antigo de entrar no programa - tanto que há vídeos de Ana Clara, 21, com nove anos pedindo à emissora para deixar o papai entrar no jogo. E a família, aqui fora, preferiu deixá-lo na casa, mesmo com a morte de um irmão do patriarca. Eles foram a primeira família inteira que participou do programa - o público escolheu dois integrantes para continuar no reality. O programador Ayrton, 56 anos, é o paizão da casa. Ana estuda jornalismo e é extrovertida.

A final foi celebrada com um encontro musical que misturou rap, sertanejo e samba e que reuniu, pela primeira vez, Projota, Maiara & Maraísa e Ferrugem. Teve espaço para lembrar dos memes, festas e até de Leifert zoar outros programas. O BBB 18 tem direção-geral de Rodrigo Dourado e registrou média de 26 pontos no Ibope, maior audiência dos últimos oito anos do reality.

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