Suspensão de cobertura da imprensa no Alvorada repercute entre senadores - Itapetinga Acontece

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  • Alguns veículos de comunicação decidiram suspender temporariamente a cobertura que realizavam diariamente no Palácio da Alvorada alegando falta de segurança aos profissionais da imprensa. O posicionamento repercutiu entre os senadores que, em seus perfis nas redes sociais, apoiaram a iniciativa dos veículos e condenaram a postura da Presidência da República por não garantir ambiente seguro aos que fazem a cobertura das atividades no local.

    Para os senadores, o governo tem atuado contra a democracia e a liberdade de imprensa ao permitir que recorrentes atos de hostilidade praticados pelos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro contra os jornalistas continuem acontecendo no Palácio da Alvorada, como ressaltou a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA).

    “É muito grave quando empresas do porte do Grupo Globo e da Folha não veem garantias de segurança em cobertura presidencial. Isso só ocorre em países ditatoriais ou em governos que almejam essa condição. A democracia não tolera cerceamento da liberdade de imprensa”, disse no Twitter.

    Além do Grupo Globo e do jornal Folha de SP, também decidiram interromper a cobertura no Alvorada o Grupo Metrópoles, o portal de notícias Uol e o Grupo Band após manifestantes repetirem insultos aos jornalistas que estavam no local na segunda-feira (25). Segundo relatos publicados pelos próprios profissionais, os apoiadores do presidente quase invadiram o espaço destinado à imprensa, sem que fossem contidos pelos seguranças.

    Pelo Twitter, o senador Jean Paul Prates (PT-RN) disse apoiar a decisão das empresas de comunicação e que as condições de trabalho oferecidas no “curralzinho”, conhecido como o local direcionado à imprensa no Alvorada, já tinham sido expostas por ele diversas vezes.

    “Há tempos implico com esse curralzinho humilhante somado a uma dinâmica de [entrevista] coletiva com claque. Os principais veículos de comunicação e jornalismo não precisam sujeitar seus/suas repórteres a isso. Finalmente reagiram. Antes tarde, do que nunca”, ressaltou.

    O apoio aos profissionais da mídia foi reforçado pelo senador Fabiano Contarato (Rede-ES). “Mais uma empresa jornalística suspende a cobertura no Alvorada. A população é prejudicada em seu direito constitucional de ser informada porque o presidente e sua segurança permitem que uma horda os hostilize. Reitero apoio aos jornalistas e às empresas”, ressaltou no twitter.

    O cenário no Alvorada foi descrito pelos senadores Paulo Rocha (PT-PA) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) como de ameaça e medo, gerados, segundo eles, para tentar calar o trabalho da imprensa. Para eles, Jair Bolsonaro comete crime ao não evitar que as agressividades ocorram.

    “Não existe democracia sem jornalismo livre! Esse é mais um dos graves crimes que Bolsonaro comete. Em que democracia jornalistas se sentem ameaçados ao cobrir um presidente? Ofereço aos profissionais de imprensa, além de solidariedade, todo o meu apoio!”, afirmou o senador Randolfe no twitter.

    Proteção
    O líder do PDT, senador Weverton (MA), disse ser inaceitável o comportamento “hostil e desrespeitoso” dos seguidores do presidente. Como tentativa de combater esse tipo de violência, ele informou no Twitter que apresentou o Projeto de Lei (PL) 2.874/2020 que altera o Código Penal (Decreto-Lei 2.848, de 1940) para agravar de um a dois terços a pena cometida ao crime de lesão corporal a jornalistas e profissionais de imprensa no exercício da sua profissão. Atualmente, a legislação prevê pena de detenção de três meses a um ano para esse tipo de crime e penas maiores para casos graves, que levem à incapacidade ou à morte do profissional.

    “É inaceitável o crescente número de agressões contra jornalistas. Apresentei um projeto que agrava a pena para quem cometer crime de lesão corporal contra profissionais de imprensa no exercício da sua profissão ou em razão dela. A imprensa livre é um dos pilares da democracia”, enfatizou.

    O agravamento da pena para esse tipo de crime também tramita na Casa no PL 2.813/2020, do senador Lucas Barreto (PSD-AP). O texto altera o Código Penal para incluir o crime contra profissionais de imprensa entre as agravantes genéricas, que são circunstâncias legais, de natureza objetiva ou subjetiva, que não integram, a estrutura do tipo penal, mas que a ele se ligam com a finalidade de aumentar a pena.

    Ditadura
    Ainda no Twitter, o senador Humberto Costa (PT-PE) disse que a última vez em que o país acompanhou iniciativas da imprensa semelhantes às atuais foi no período da ditadura militar.

    “A última vez que a imprensa cruzou os braços à cobertura presidencial, o Planalto tinha um general-ditador”, disse o senador ao publicar uma foto feita em 1984 quando fotógrafos credenciados que cobriam a presidência cruzaram os braços e se recusam a fotografar o presidente João Batista Figueiredo descendo a rampa do Palácio do Planalto.

    O protesto foi uma reação à ordem do general-presidente proibindo fotos em seu gabinete. Enquanto vigorou a proibição, apenas o fotógrafo oficial do Planalto podia registrar as audiências.

    Fonte: Agência Senado

    Suspensão de cobertura da imprensa no Alvorada repercute entre senadores


    Alguns veículos de comunicação decidiram suspender temporariamente a cobertura que realizavam diariamente no Palácio da Alvorada alegando falta de segurança aos profissionais da imprensa. O posicionamento repercutiu entre os senadores que, em seus perfis nas redes sociais, apoiaram a iniciativa dos veículos e condenaram a postura da Presidência da República por não garantir ambiente seguro aos que fazem a cobertura das atividades no local.

    Para os senadores, o governo tem atuado contra a democracia e a liberdade de imprensa ao permitir que recorrentes atos de hostilidade praticados pelos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro contra os jornalistas continuem acontecendo no Palácio da Alvorada, como ressaltou a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA).

    “É muito grave quando empresas do porte do Grupo Globo e da Folha não veem garantias de segurança em cobertura presidencial. Isso só ocorre em países ditatoriais ou em governos que almejam essa condição. A democracia não tolera cerceamento da liberdade de imprensa”, disse no Twitter.

    Além do Grupo Globo e do jornal Folha de SP, também decidiram interromper a cobertura no Alvorada o Grupo Metrópoles, o portal de notícias Uol e o Grupo Band após manifestantes repetirem insultos aos jornalistas que estavam no local na segunda-feira (25). Segundo relatos publicados pelos próprios profissionais, os apoiadores do presidente quase invadiram o espaço destinado à imprensa, sem que fossem contidos pelos seguranças.

    Pelo Twitter, o senador Jean Paul Prates (PT-RN) disse apoiar a decisão das empresas de comunicação e que as condições de trabalho oferecidas no “curralzinho”, conhecido como o local direcionado à imprensa no Alvorada, já tinham sido expostas por ele diversas vezes.

    “Há tempos implico com esse curralzinho humilhante somado a uma dinâmica de [entrevista] coletiva com claque. Os principais veículos de comunicação e jornalismo não precisam sujeitar seus/suas repórteres a isso. Finalmente reagiram. Antes tarde, do que nunca”, ressaltou.

    O apoio aos profissionais da mídia foi reforçado pelo senador Fabiano Contarato (Rede-ES). “Mais uma empresa jornalística suspende a cobertura no Alvorada. A população é prejudicada em seu direito constitucional de ser informada porque o presidente e sua segurança permitem que uma horda os hostilize. Reitero apoio aos jornalistas e às empresas”, ressaltou no twitter.

    O cenário no Alvorada foi descrito pelos senadores Paulo Rocha (PT-PA) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) como de ameaça e medo, gerados, segundo eles, para tentar calar o trabalho da imprensa. Para eles, Jair Bolsonaro comete crime ao não evitar que as agressividades ocorram.

    “Não existe democracia sem jornalismo livre! Esse é mais um dos graves crimes que Bolsonaro comete. Em que democracia jornalistas se sentem ameaçados ao cobrir um presidente? Ofereço aos profissionais de imprensa, além de solidariedade, todo o meu apoio!”, afirmou o senador Randolfe no twitter.

    Proteção
    O líder do PDT, senador Weverton (MA), disse ser inaceitável o comportamento “hostil e desrespeitoso” dos seguidores do presidente. Como tentativa de combater esse tipo de violência, ele informou no Twitter que apresentou o Projeto de Lei (PL) 2.874/2020 que altera o Código Penal (Decreto-Lei 2.848, de 1940) para agravar de um a dois terços a pena cometida ao crime de lesão corporal a jornalistas e profissionais de imprensa no exercício da sua profissão. Atualmente, a legislação prevê pena de detenção de três meses a um ano para esse tipo de crime e penas maiores para casos graves, que levem à incapacidade ou à morte do profissional.

    “É inaceitável o crescente número de agressões contra jornalistas. Apresentei um projeto que agrava a pena para quem cometer crime de lesão corporal contra profissionais de imprensa no exercício da sua profissão ou em razão dela. A imprensa livre é um dos pilares da democracia”, enfatizou.

    O agravamento da pena para esse tipo de crime também tramita na Casa no PL 2.813/2020, do senador Lucas Barreto (PSD-AP). O texto altera o Código Penal para incluir o crime contra profissionais de imprensa entre as agravantes genéricas, que são circunstâncias legais, de natureza objetiva ou subjetiva, que não integram, a estrutura do tipo penal, mas que a ele se ligam com a finalidade de aumentar a pena.

    Ditadura
    Ainda no Twitter, o senador Humberto Costa (PT-PE) disse que a última vez em que o país acompanhou iniciativas da imprensa semelhantes às atuais foi no período da ditadura militar.

    “A última vez que a imprensa cruzou os braços à cobertura presidencial, o Planalto tinha um general-ditador”, disse o senador ao publicar uma foto feita em 1984 quando fotógrafos credenciados que cobriam a presidência cruzaram os braços e se recusam a fotografar o presidente João Batista Figueiredo descendo a rampa do Palácio do Planalto.

    O protesto foi uma reação à ordem do general-presidente proibindo fotos em seu gabinete. Enquanto vigorou a proibição, apenas o fotógrafo oficial do Planalto podia registrar as audiências.

    Fonte: Agência Senado
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