Sol da Meia-Noite: Cidade no Extremo do Alasca Entra em 84 Dias de Claridade Ininterrupta

 Fenômeno do “Sol da Meia-Noite” mantém cidade do extremo norte do Alasca iluminada 24 horas por dia até agosto


                                            (Foto Acervo/Itapetinga Acontece)

A remota cidade de Utqiaġvik, anteriormente conhecida como Barrow e considerada o ponto habitado mais ao norte dos Estados Unidos, iniciou um dos fenômenos naturais mais impressionantes do planeta: 84 dias consecutivos sob a luz do chamado “Sol da Meia-Noite”.

Em maio de 2026, o Serviço Nacional de Meteorologia de Fairbanks registrou em vídeo o último instante em que o Sol tocou a linha do horizonte. Desde então, os cerca de 5 mil moradores da cidade passaram a viver sob claridade permanente, ciclo que seguirá até o próximo dia 2 de agosto.

O fenômeno acontece por causa da inclinação de aproximadamente 23,5° do eixo da Terra combinada com o movimento de translação do planeta ao redor do Sol. Durante o verão no Hemisfério Norte, o Polo Norte permanece voltado diretamente para a luz solar, impedindo que a noite aconteça em determinadas regiões próximas ao Ártico.

Um Sol que Nunca Desaparece

Diferente do que ocorre na maior parte do planeta, em Utqiaġvik o Sol não realiza o tradicional percurso de nascer no Leste e se pôr no Oeste. Durante esse período, ele circula horizontalmente pelo céu, permanecendo acima do horizonte inclusive durante a madrugada.

O cenário cria uma paisagem incomum, onde mesmo às 3h da manhã o céu continua iluminado, provocando a sensação de um “dia sem fim”.

Luz Permanente, Mas Sem Calor

Apesar da incidência solar contínua durante 24 horas por dia, o calor intenso não chega à região. Em julho, considerado o mês mais quente do ano, a média de temperatura gira em torno de apenas 9°C. Episódios de neve durante o verão também não são raros.

A explicação está na forma como os raios solares atingem as áreas polares. A luz chega de maneira inclinada e difusa, espalhando a energia térmica por uma área maior e reduzindo significativamente o aquecimento da superfície.

Impactos na Rotina e na Saúde

A população local, formada majoritariamente pelo povo indígena Iñupiat, precisa adaptar completamente sua rotina durante o período de claridade total. Cortinas blackout e estratégias para regular o sono tornam-se essenciais para minimizar os impactos no relógio biológico.

Após o encerramento do fenômeno, em agosto, a cidade ainda enfrentará cerca de 50 dias de crepúsculo parcial. Já no fim do ano ocorre o oposto extremo: a chamada noite polar, quando Utqiaġvik mergulha em aproximadamente 65 dias de escuridão contínua, enfrentando temperaturas que podem atingir -30°C.

Além do Alasca, regiões do Canadá, Groenlândia, Rússia e países nórdicos também vivenciam o fenômeno do dia polar nesta época do ano.

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